24 Julho, 2008 às 10:54 am (Poema, Poética, Prosa, tristeza)
Tags: Poética, Poema, poesia, Prosa, tristeza
Noite, vem depressa,
traz contigo o sono
galopando na madrugada,
habita meu pesadelo
adormece meu âmago
congela o tempo
desfalece o dia
escorre pela manhã
me empana a vista
emudece a lágrima
me arrebata do sonho
e me leva contigo
pro esquecimento
bálsamo das dores
descanso final
(escrito por Zailda Mendes)
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24 Julho, 2008 às 1:56 am (Agonia, Dor, Poema, desespero, tristeza)
Tags: Agonia, Dor, mágoa, Poema, poesia, saudade, tristeza
Neblina insana baixa sobre a noite
que se fez mais cedo na tua ausência
vem sobre o meu peito como açoite
e a tempestade cai na alma sem clemência
Noite extrema que clama em furor
estupor de pranto lavado em brisa
chaga que arde no meu céu sem cor
se instala em meu peito que agoniza
Oh, ausência atroz e amargurada
vazio que me entorpece em ais
me deixa a vagar pela madrugada
bebendo na luz profana dos mortais
Olhar vazio, lágrima torrente
a espera insana finalmente exala
último suspiro de chama latente
a esperança, abandonada, estala
(escrito por Zailda Mendes)
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24 Julho, 2008 às 1:54 am (Poema, Poética, Prosa, desilusão, tristeza)
Tags: desilusão, Poética, Poema, poesia, Prosa, tristeza
Nunca mais quero dizer
“eu te amo”
nunca mais quero entregar
o coração
pra ser esquartejado, enxovalhado
recolho os pedaços
sinto a dor funda
trespassando a carne
olho o horizonte
onde o nada se apresenta
enorme, colossal
sigo a estrada
que vai dar em nada
que segue pra lugar nenhum
onde brilha o sol sem cor
sem calor
esqueço as canções enquanto sigo
os sonhos vão caindo de meu peito
piso em esperanças vãs
como margaridas
desfalecidas pelo caminho
abandono o brilho do olhar
a tristeza me sobrevoa
não olho pra trás
o coração se transforma aos poucos
em pedra, em gelo
em espinho, em punhal
e repito enquanto morro aos poucos
“nunca mais, nunca mais”
(escrito por Zailda Mendes)
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24 Julho, 2008 às 1:52 am (Dor, Poema, Poética, Prosa, amor)
Tags: amor, Dor, loucura, Poética, Poema, poesia, Prosa
A gargalhada louca
escorre da boca
o cérebro desfalece
adormece
as imagens se sobrepõem
em vertiginosa viagem
de cores e dores
insuportáveis
medonhas, desumanas
monstros brancos que aos poucos
invadem todos os lugares
e mente já não suporta
e se desmancha em luzes
e a gargalhada rasga a noite
entra pelas frestas das janelas
a loucura irrompe, indomável
e assim fenece, adormece
no peito do louco
o último fio de lucidez
(escrito por Zailda Mendes)
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24 Julho, 2008 às 1:51 am (Poema, Poética, Prosa, amor)
Tags: amor, Poética, Poema, poesia, Prosa, vida
Ama, ama muito
mesmo que te doa o coração
e que rompam os soluços
ama sempre
mesmo que te dilacere a carne
e que jorre o sangue
ama incontrolavelmente
ainda que o peito arfe de dor
e brote em lágrimas frias
ama ainda
mesmo que não sejas amado
e te torture o ciúme
como lança fria no peito
ainda assim segue amando
até se a vida te escoa
em suspiros de saudade
ama, ama muito, ama sempre
porque a vida assim sem amar
é vida vazia
vida oca, sem destino
sem descanso, sem rumo
viver sem amar é apenas vegetar
(escrito por Zailda Mendes)
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18 Julho, 2008 às 9:50 pm (Poema, Poética, Prosa, tristeza)
Tags: Poética, Poema, poesia, Prosa, tristeza
A moça na janela do trem
rosto na vidraça, olhar no nada
lágrima no peito
janela do trem
A moça e o trem passam voando
o trem leva a moça
a moça leva a saudade
solidão é pra quem fica
adeus é pra quem parte
na lágrima da janela do trem
O coração bate apertado
a moça no trem chora o mundo
de lágrimas que não chorei
que engoli
que não sei contar,
não sei dizer
A moça e eu no trem
o trem corre e me deixa aqui
olhando a moça na janela
coração partido, olhar vazio
lágrima da moça do trem
A janela se apaga da memória
o trem entra na bruma
sua história
se perde, se confunde
só fica a lágrima
a lágrima e a moça
que parte na janela do trem
(escrito por Zailda Mendes)
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18 Julho, 2008 às 9:47 pm (Paixão, Poema, Poética, Prosa, amor)
Tags: amor, Paixão, Poética, Poema, poesia, Prosa
Cavalgo tua noite, teu corpo
velo teu sono
abandono
meu peito à ânsia do prazer
escalo teus montes, teu centro
me cedo e me nego,
me entrego
velejo teus suspiros e gemidos
bebo tua água, tua boca
te tomo e te abraço
enlaço
meu corpo ardente ao teu
te juro loucuras, meus ais
revivo e desfaleço
esqueço
que na ânsia de ser
completamente, perdidamente tua
te quero apenas meu.
(escrito por Zailda Mendes)
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17 Julho, 2008 às 12:18 am (Poema, Poética, Prosa, cotidiano, vida)
Tags: cotidiano, Poética, Poema, Prosa, vida
O riso leve no rosto marcado
abstrato
a perna da moça no banco do metrô
o olhar do padeiro na fila do avião
abstrato
Sigo a vida sem entender nada
o prédio onde moro
de paredes cinza
onde tenho um vizinho que vejo aos domingos
abstrato
A promessa de amor
que morre na fila do metrô
o emprego marcado de hora regrada
o salário minguado
abstrato
A vela do crente
a oração do infiel
a jura do amante
a perna da moça no rosto marcado
que morre na parede cinza do meu vizinho
abstrato
A vida corre, foge entre os dedos
não entendo mais nada
perco o fôlego e sigo a novela
a fila de velas em oração
na mão estendida do mendigo
na bala do revólver do ladrão
na rua cinza e o salário minguado
abstrato
Na soleira da porta
a perna do mendigo
o sorriso da moça
a bala do vizinho
perco a novela e sigo a oração
um corpo estendido
na hora marcada
abstrato
(escrito por Zailda Mendes)
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17 Julho, 2008 às 12:13 am (Poema, Poética, Prosa, cotidiano, vida)
Tags: cotidiano, Poética, Poema, Prosa, vida
Vida, essa vida bandida
vida atropelada, corrida
que nos faz deixar pra trás
amigos, amores
esquecer de olhar as estrelas
de abraçar os filhos
de olhar nos olhos
que nos transforma em seres sem alma
sem espiritualidade
sem tempo pra nada
pra tomar uma cerveja com os amigos
bater papo no fim de tarde
ler um livro
ouvir uma piada
lembrar o nome do ator de um filme
entre risadas
sem tempo pra tomar sorvete
banho de chuva
comer algodão-doce
dar muita gargalhada
contar as histórias
deixar nossas marcas
abrir o coração
chorar nossas mágoas
nossas pequenas tragédias
Um dia essa vida bandida
se vai, se escoa, se acaba
e nós vamos de mãos vazias
deixamos um grande nada
nos libertamos da prisão.
(escrito por Zailda Mendes)
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17 Julho, 2008 às 12:09 am (Paixão, Poema)
Tags: erótica, erótico, Paixão, Poema, poesia
Poço de carícias e ternura
rocha de paixão e de loucura
lâmina que corta e que mistura
teus fluidos aos meus, com fremência,
desejo que me engole com a urgência
do teu corpo que me fustiga sem clemência
ave de rapina que me arrebata
e me abre o peito, me mata
em uivos de desejo e prazer
em ondas que trespassam meu ser
louco pássaro que me desfalece
com carícias tão doidas, adormece
teu cansaço no meu
e entrego meu corpo ao teu
não sei se anjo ou demônio
não sei se paixão ou frenesi
só sei que me entrego inteira
começo e termino em ti.
(escrito por Zailda Mendes)
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