Engole o soluço negro que te arrepia
e com tenazes garras te dilacera
o peito, em indizível agonia
Beija a serpente que te habita e espera
Aguarda o raio que desce, lancinante
e há de partir tua alma ao meio
teu vulto, uma chaga transbordante
de fel, retorna de onde veio.
Volta vencida, besta repugnante
ao seio que te acolhe, inferno delirante
em negros abismos de seres colossais
Arrasta, enfim, tua alma errante
a dor flutua, contorce teu semblante
e te sugam as vísceras os anjos infernais.
(escrito por Zailda Mendes)
