Moça na janela

A moça na janela do trem
rosto na vidraça, olhar no nada
lágrima no peito
janela do trem

A moça e o trem passam voando
o trem leva a moça
a moça leva a saudade
solidão é pra quem fica
adeus é pra quem parte
na lágrima da janela do trem

O coração bate apertado
a moça no trem chora o mundo
de lágrimas que não chorei
que engoli
que não sei contar,
não sei dizer

A moça e eu no trem
o trem corre e me deixa aqui
olhando a moça na janela
coração partido, olhar vazio
lágrima da moça do trem

A janela se apaga da memória
o trem entra na bruma
sua história
se perde, se confunde
só fica a lágrima
a lágrima e a moça
que parte na janela do trem

(escrito por Zailda Mendes)

Meu

Cavalgo tua noite, teu corpo
velo teu sono
abandono
meu peito à ânsia do prazer
escalo teus montes, teu centro
me cedo e me nego,
me entrego
velejo teus suspiros e gemidos
bebo tua água, tua boca
te tomo e te abraço
enlaço
meu corpo ardente ao teu
te juro loucuras, meus ais
revivo e desfaleço
esqueço
que na ânsia de ser
completamente, perdidamente tua
te quero apenas meu.

(escrito por Zailda Mendes)