Neblina

Neblina insana baixa sobre a noite
que se fez mais cedo na tua ausência
vem sobre o meu peito como açoite
e a tempestade cai na alma sem clemência

Noite extrema que clama em furor
estupor de pranto lavado em brisa
chaga que arde no meu céu sem cor
se instala em meu peito que agoniza

Oh, ausência atroz e amargurada
vazio que me entorpece em ais
me deixa a vagar pela madrugada
bebendo na luz profana dos mortais

Olhar vazio, lágrima torrente
a espera insana finalmente exala
último suspiro de chama latente
a esperança, abandonada, estala

(escrito por Zailda Mendes)

Espírito Errante

Vai, espírito alucinado
que abandona minha carcaça
em véus de agonia e êxtase
em suspiros e ais marcados
por trêmulas lágrimas
e bêbados sorrisos,
lancinantes feridas expostas
ao júbilo e ao prazer
dos inimigos, torpes serpentes
que esmago sob a sola dos pés
enquanto avanço
a alma nua, o vulto pálido,
o corpo esquálido e putrefato
as córneas vazias
o peito inerte
abrindo os portais do inferno
de onde as chamas me lambem
e me sopram a pele desnuda
o hálito ardente
a carne lacerada
o sangue pisado, coalhado
ferido, finado, escoado, acabado.

(escrito por Zailda Mendes)