Frenesi

Poço de carícias e ternura
rocha de paixão e de loucura
lâmina que corta e que mistura
teus fluidos aos meus, com fremência,
desejo que me engole com a urgência
do teu corpo que me fustiga sem clemência

ave de rapina que me arrebata
e me abre o peito, me mata
em uivos de desejo e prazer
em ondas que trespassam meu ser

louco pássaro que me desfalece
com carícias tão doidas, adormece
teu cansaço no meu
e entrego meu corpo ao teu

não sei se anjo ou demônio
não sei se paixão ou frenesi
só sei que me entrego inteira
começo e termino em ti.

(escrito por Zailda Mendes)

Braços e abraços

Toma-me de um golpe
emerge de mim
me arranca das sombras
me sacia em ti
me sorve em gotas
me lambe, me engole
me embala em gemidos
me carrega em teus ais;
me encharca de amor
escorrega em meu seio
resvala em meu ventre
me invade com loucura
me abre, me cerca
me jorra, me planta
descobre meus véus
entra em meu ser
me cega de delícia
percorre meu prazer
me cavalga em agonia
me preenche, me sacode em êxtase
me alimenta com tua semente
e me deixa, dormente
vacilante, incoerente,
saciada, esvaziada
inerte em volúpia
explodida em cansaço
inundada de loucura
embebida em desejos e beijos
escalar fronteiras
de amor e tontura
em teus braços, meus laços
meus pássaros de prazer

(Zailda Mendes)