Espera

Tenebrosa noite de olhar castanho
que me traga em seus braços
mal cai o sol
a ver-te, qual fantasma em sonhos
assombrando-me a escuridão do quarto
levantando-se ante mim
em monstruosas vagas de saudade
doce quimera
que me alucina
em vão estendo a mão
tento alcançar-te
mas já te afastas, galopante
em meu pesadelo de loucura
minha alucinada espera de paixão
minha carne que te reclama
se contorce
em sonhos, pesadelos
nefastos, dolorosos
de entrega e espera
lábios, mãos, peles se confundem
em fantasmagórica agonia

(Escrito por Zailda Coirano)

Coração

Meu coração bate
junto ao teu, descompassado
tarado
pecado
domado

Minha boca busca
a tua, carente
doente
latente
fulgente

meu olhar cai
no teu, dorido
sentido
bandido
caído

Meu corpo se enrosca
ao teu, desperto
aberto
incerto
esperto

Meu hálito suga
o teu, agonia
ironia
fugidia
fantasia

(Zailda Mendes)

Meu

Cavalgo tua noite, teu corpo
velo teu sono
abandono
meu peito à ânsia do prazer
escalo teus montes, teu centro
me cedo e me nego,
me entrego
velejo teus suspiros e gemidos
bebo tua água, tua boca
te tomo e te abraço
enlaço
meu corpo ardente ao teu
te juro loucuras, meus ais
revivo e desfaleço
esqueço
que na ânsia de ser
completamente, perdidamente tua
te quero apenas meu.

(escrito por Zailda Mendes)

Frenesi

Poço de carícias e ternura
rocha de paixão e de loucura
lâmina que corta e que mistura
teus fluidos aos meus, com fremência,
desejo que me engole com a urgência
do teu corpo que me fustiga sem clemência

ave de rapina que me arrebata
e me abre o peito, me mata
em uivos de desejo e prazer
em ondas que trespassam meu ser

louco pássaro que me desfalece
com carícias tão doidas, adormece
teu cansaço no meu
e entrego meu corpo ao teu

não sei se anjo ou demônio
não sei se paixão ou frenesi
só sei que me entrego inteira
começo e termino em ti.

(escrito por Zailda Mendes)

Fera

Beijo de fogo
desvario
de paixão e prazer
calafrio
fera no cio
vendaval de carícias
delícias
que varrem meu peito
colossal
alma animal
aquieta minha alma
sacia meu pranto
afoga meu olhar
serpente, carente
ardente
enxuga meu medo
me rola em segredo
abate meu pesadelo
desvelo
novelo, meu pelo
enreda minha boca
num beijo supremo
sereno, veneno
carícia insone
de música e avelã
agonia pagã
de fera, pantera
quimera
carrega meu pesar
altar, olhar
em teu hálito frio
desvio
emerge do meu sonho
medonho
e me faz tua
nua
envolvente
carente
demente
imprudente
eternamente

(Zailda Mendes)

Braços e abraços

Toma-me de um golpe
emerge de mim
me arranca das sombras
me sacia em ti
me sorve em gotas
me lambe, me engole
me embala em gemidos
me carrega em teus ais;
me encharca de amor
escorrega em meu seio
resvala em meu ventre
me invade com loucura
me abre, me cerca
me jorra, me planta
descobre meus véus
entra em meu ser
me cega de delícia
percorre meu prazer
me cavalga em agonia
me preenche, me sacode em êxtase
me alimenta com tua semente
e me deixa, dormente
vacilante, incoerente,
saciada, esvaziada
inerte em volúpia
explodida em cansaço
inundada de loucura
embebida em desejos e beijos
escalar fronteiras
de amor e tontura
em teus braços, meus laços
meus pássaros de prazer

(Zailda Mendes)