Vazio

Que pare a música
que o sol deixe de brilhar
choro por meu amor perdido
que se foi com o luar

que os grãos de areia, dispersos,
se percam no mar
que o oceano seque
que a gaivota pare de voar

que as estrelas se apaguem
e para sempre reine a escuridão
que reine esse vazio
que tenho no coração

que se acabe o mundo
que se congele o ar
que o céu inteiro desabe
que a terra deixe de girar

que as gotas cristalizem
que se guarde silêncio eterno
que se queimem as matas
que se abra o inferno

que se derreta o sol
que se esfacele a lua
que as trevas da noite
rastejem pela rua

que seque a luz dos meus olhos
que seja cego meu olhar
meu amor foi embora
para nunca mais voltar

(Escrito por Zailda Coirano)

Amanhã

Amanhã quero abrir a janela
sentir o sol da manhã
beijar as flores macias
esquecer as imagens sombrias
ver os pássaros derramando
seu canto pelos jardins
abrir minhas cortinas
te encarar sem medo, amanhã

Mas hoje a alma tão fria
estertora, vazia
irrompe em agonia

Amanhã quero descer as escadas
e ver os rostos carentes
de afeto, reluzentes
ouvir o sol da manhã
romper pela luz do dia
esquecer a paisagem vadia
comer do fruto
e beijar a flor

Mas hoje o coração dispara
acelera, estala
se arrasta na sombra de fel

Amanhã quero abrir a cortina
ver água cristalina
a borboleta no mato
o pássaro na escada
saltitante, carente
o sol cantar mais um dia

Mas hoje
a alma em estertores, fel
o coração agoniza
espera, amor
espera chegar a manhã

(Escrito por Zailda Coirano)

Gota

gota
perfeita
lacre
da alma
rompe
jorra
serpenteia
reluz
escorre
brota
da alma
ferida
sofrida
alquebrada
que sofre
contorce
dói
chora
gota
de lágrima

(escrito por Zailda Coirano)

Soledad

Vuelvo a casa y tú no estás
vacío está el jardín
donde mueren las flores
vacía está mi vida
y mueren mis sueños
sin el agua de tu amor

si no vuelves
vacío quedará mi corazón
donde mi sangre muere a cada hora
que no estás
mis ojos están vacíos
porque no estás aquí

si no retornas
vacía estará mi alma
vacío mi pecho
vacía mi vida
soledad

(escrito por Zailda Coirano)

Sombrio

sombrio

Triste, o ronco triste
do meu peito negro
minha alma moribunda
céu sem estrelas
de dentro um suspiro
último suspiro
caem as trevas
não se vê mais nada
desce o pano
encerra-se o tempo
param os ponteiros
o sol se esconde
aqui dentro no meu peito
não se ouve um ruído
é deserto
é vazio
sombrio

(escrito por Zailda Coirano)

É tarde

É tarde, teu grito
já não chega aos meus ouvidos
que ensurdeceram de dor
É tarde, a lágrima
já não cai do olhar vazio
a última já se foi
É tarde, o coração
endureceu e morreu
já não se comove com o lamento
já não abriga a ternura
É tarde, o amor
voou de meu peito
como um pássaro ferido
que busca um refúgio
pra morrer em paz
É tarde, a noite
caiu e a aurora estertora, moribunda
e não virá mais
É tarde, a alma fria
já não comporta tanta dor
é agora um campo seco
onde mais nada floresce
onde só existe o amargo
o negro e o triste
Eu fui embora
não adianta me chamar
é tarde

(escrito por Zailda Coirano)

Lua Morena

Lua morena da boca serena
derrama tua luz na minha tristeza
espalha prata por minha mágoa
carrega com seu véu noturno
as lágrimas dos meus olhos
enxuga meu peito de lágrimas
loucas, frouxas, bailarinas
flores cristalinas
cristalizadas de saudade
insanas de vontade
nuvens de prata e dor
águas que caem dos olhos
e se secam em tua luz

(Zailda Coirano)

Borboleta

Borboleta rubra
no céu de outono
detém seu voar
me leva em tuas asas
pra longe, bem longe
me leva pro mar
nas águas salgadas
flutuar, afundar
nascer, renascer
nas águas morrer
desaparecer

(escrito por Zailda Mendes)

Noite

Noite, vem depressa,
traz contigo o sono
galopando na madrugada,
habita meu pesadelo
adormece meu âmago
congela o tempo
desfalece o dia
escorre pela manhã
me empana a vista
emudece a lágrima
me arrebata do sonho
e me leva contigo
pro esquecimento
bálsamo das dores
descanso final

(escrito por Zailda Mendes)

Neblina

Neblina insana baixa sobre a noite
que se fez mais cedo na tua ausência
vem sobre o meu peito como açoite
e a tempestade cai na alma sem clemência

Noite extrema que clama em furor
estupor de pranto lavado em brisa
chaga que arde no meu céu sem cor
se instala em meu peito que agoniza

Oh, ausência atroz e amargurada
vazio que me entorpece em ais
me deixa a vagar pela madrugada
bebendo na luz profana dos mortais

Olhar vazio, lágrima torrente
a espera insana finalmente exala
último suspiro de chama latente
a esperança, abandonada, estala

(escrito por Zailda Mendes)

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