Dor insana

Onde repouso o olhar embaciado
turvado pelas brumas da tristeza
que goteja, incessante,
que escorre lentamente
pelos poros de minh’alma,
embalada em suspiros de agonia
que exalam de meu coração?

Onde encosto as pernas bambas
da inútil caminhada
em busca dos teus olhos?
Onde descanso a carcaça,
os ossos – destroços
do gélido cansaço,
de palpável e lúgubre centelha
de dor inerte e insana?

Onde deixo os beijos – abortos –
destinados aos teus lábios?
Agora se enroscam – luzidias serpentes –
amarfanhando-se em meu peito
inundado em charcos de lágrimas cruas,
que borbulham em fontes de fel?

Onde encosto o soluço
das mil noites insones
das tresloucadas madrugadas
de prantos errantes
da chaga colossal de dor pungente
queimando lânguida, envolvente,
despojando a alma errante e triste
desfazendo-se em laços, pedaços,
esquartejando meu ser
até, enfim, voar liberto
em busca do alívio incerto
descansar, repousar, fenecer…

(escrito por Zailda Mendes)

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