O riso leve no rosto marcado
abstrato
a perna da moça no banco do metrô
o olhar do padeiro na fila do avião
abstrato
Sigo a vida sem entender nada
o prédio onde moro
de paredes cinza
onde tenho um vizinho que vejo aos domingos
abstrato
A promessa de amor
que morre na fila do metrô
o emprego marcado de hora regrada
o salário minguado
abstrato
A vela do crente
a oração do infiel
a jura do amante
a perna da moça no rosto marcado
que morre na parede cinza do meu vizinho
abstrato
A vida corre, foge entre os dedos
não entendo mais nada
perco o fôlego e sigo a novela
a fila de velas em oração
na mão estendida do mendigo
na bala do revólver do ladrão
na rua cinza e o salário minguado
abstrato
Na soleira da porta
a perna do mendigo
o sorriso da moça
a bala do vizinho
perco a novela e sigo a oração
um corpo estendido
na hora marcada
abstrato
(escrito por Zailda Mendes)

Deixe um comentário